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sexta-feira, 25 de abril de 2014

A voz dos cravos

A voz dos cravos


Sou de um país onde os cravos são palavra
são arma, luta, canção

País numa flor inteiro
onde o vermelho foi dor
hoje é voz, libertação

Este país é o meu
onde os cravos são palavra
dizem mar, azul e céu

Um abril em cada voz
uma flor por coração
batendo forte no peito
ao ritmo de uma nação


M. C. Vicente / foto de António Rilo in "25 de Abril, 40 anos de liberdade", 
ed. Trinta Por Uma Linha
 (Este livro pode ser adquirido em http://www.trintaporumalinha.com/tropelias_e_companhia.html)

sábado, 3 de novembro de 2012

"A lesma"

Durante algum tempo, o poema "A lesma" viveu escondido no meu livro Bichos faz-de-conta. Mas, a partir de certa altura, passou também a morar no caderno de atividades que acompanha o manual de Português (5.º ano) Dito e Feito, da Porto Editora. Afinal as lesmas não estão sempre na mesma... Às vezes tornam-se bem ativas. É tudo uma questão de oportunidade.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

As árvores e os livros

 
imagem de Kudryashka 
                     (através do blog Poesia Infantil i Juvenil)


As árvores e os livros

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
 as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso e sardinheiras.

                                                          Jorge Sousa BRAGA

terça-feira, 27 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia - 21 de Março

Com algum atraso, uma pequena reflexão...


   Poesia


poesia
é dizer a alma das coisas simples
de tão complexas, só o poeta é capaz de vê-las
só o poeta sabe dizê-las

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

25 de Outubro - Dia da Biblioteca Escolar

BIBLIOTECA



É uma casa do tamanho do mundo:
salas sem paredes e tecto nenhum;
tem chão de baloiço, porta escancarada.
Quem está lá dentro voa pela janela,
fugindo ao dragão, sonhando que é fada.


É uma casa onde cabe o tempo:
os minutos são séculos, os dias segundos;
sem fim nem princípio, minuto nem hora.
Quem está lá dentro perdeu o relógio,
não sabe se é ontem, hoje ou agora.


É uma casa onde moram poetas:
livres como a águia, presos na memória.
Quem está lá dentro conversa em silêncio
com sábios, heróis, contadores de histórias…


É uma casa de muitos mistérios:
recantos de sonho, jardins de ilusão,
portas de segredo, escadas p’rò céu.
Quem quiser entrar voltará ou não…

M.C.V. / 2009
 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Bilhete-postal

Pai Natal,
venho dizer-te
que já pus o sapatinho.
Fico à espera que me tragas
pelo menos um livrinho.
Quero ainda acrescentar
que qualquer tema me serve
- sou um leitor esclarecido,
mas um bom livro de histórias
será sempre o meu preferido.
Se for esse o meu presente,
prometo, não vou faltar:
a mais bonita de todas
vou escrevê-la na Lua
para, assim, a partilhar
com os meninos que perderam
o direito de sonhar.

Envio-te este recado
no bico de um passarinho,
que leva também saudades
deste teu muito
                        Amiguinho.


Na volta do correio


Caro amiguinho leitor,

recebi o teu pedido,
que me deixou encantado;
terás no teu sapatinho
o livrinho desejado.
Das histórias conhecidas,
a mais bonita escolhi;
já a tenho no trenó
guardadinha para ti.
Fala de um menino lindo,
vindo à Terra numa estrela
que ainda hoje ilumina
quem de perto quiser vê-la.
E se tu a souberes ler,
como acho que és capaz,
a estrela do menino…
nos teus olhos a terás.
Quanto a escrevê-la na Lua,
acho bonita a ideia;
o luar mostrá-la-á
nas noites de Lua cheia.
E para te ajudar
a cumprir o que desejas,
prometo e não vou faltar:
espalharei mais de mil cópias
levadas pelo vento norte
do Japão à Patagónia
em aviões de papel
mais rápidos que o meu trenó.
Levá-la-ão, podes crer,
a todo e qualquer cantinho
onde haja um menino só,
com vontade de chorar,
para ajudá-lo a sorrir,
a crescer e a sonhar.
Regressarei à Lapónia

feliz como nunca estive.
Saberei notícias tuas
pela leitura do jornal.


Despeço-me até ao ano.
Teu amigo,
                         Pai Natal
         Maria da Conceição Sousa Vicente

                                   Dezembro / 2008